segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Post do Ermitão #1: Otimizando seus Dias de Viagem

E aí galera!

Ermitão (ou Gustavo Josende) é um grande amigo viajante nosso, conhecedor (de acordo com o Trip Advisor dele, hehehe) de 305 cidades em 20 países - ou 21, contando o Rio Grande do Sul, como ele mesmo - gaúcho, claro - diria. Praticamente um engenheiro de viagens, ele escreveu uma espécie de artigo bem interessante sobre como aproveitar melhor viagens para países onde os dias duram mais que o normal, que achamos bem interessante e resolvemos compartilhar com vocês! Boa leitura!


Introdução
Nós brasileiros, principalmente os mais do norte, estamos muito pouco acostumados as variações solares entre as estações do ano. Quando muito, a partir do Rio de Janeiro para o norte, temos duas estações por ano e a diferença de horas de sol entre a estação mais fria (que nem podemos chamar de inverno) e a estação mais quente não é muito pronunciada, sendo praticamente nula em locais como Manaus, por exemplo.
Mas quando vamos fazer turismo em outro país, especialmente se este se distancia demais da linha do Equador, devemos levar em conta a estação do ano para programar melhor nossa viagem e decidir qual o melhor momento de visitar estes países e como fazer as horas do dia “renderem”.

Objetivo
Após ler este texto, você estará mais informado sobre a ação das estações do ano sobre a quantidade de horas do dia, promovendo então mais um elemento decisório na hora de marcar suas férias.

Fundamentos
Para começar a discorrer sobre a variação da quantidade de horas que tem um dia, é necessário entender o mecanismo por trás desta variação, que pode ser tão grande a ponto de fazer com que o sol chegue a não nascer em alguns dias em determinados locais no inverno e, ao contrário, faça com que o sol não se ponha no verão (conhecido como sol da meia-noite).
Primeiro, é necessário reconhecer que a terra é praticamente esférica. Muito embora aparentemente seja uma afirmação boba ela traz grandes implicações para seus habitantes. Estas implicações serão demonstradas a seguir.
Como a Terra é redonda, para efeitos de localização ela foi dividida em meridianos e paralelos.
Meridianos são aquelas linhas perpendiculares à linha do Equador, e tem como seu ponto “inicial” o meridiano de Greenwich. Os meridianos são divididos em graus e são representados pela longitude. Como curiosidade, todos meridianos tem o mesmo comprimento.
Paralelos são aquelas linhas paralelas ao Equador (daí seu nome), sendo que o próprio é um paralelo, que foi arbitrado como paralelo zero. Os paralelos são divididos em graus ao Sul e ao Norte e são representados pela latitude. Os paralelos não possuem o mesmo tamanho, quanto mais distante do Equador, menor será o comprimento do paralelo.

Fig.1 - Ilustração representando alguns meridianos e paralelos notáveis.

Para efeito de Jet-lag os meridianos são muito importantes, mas não será alvo do escopo deste artigo, pois quem realmente tem algum efeito sobre a quantidade de horas solares em um dia são os paralelos. A latitude influencia tudo.

Como a latitude influencia a quantidade de horas de sol de um dia?
A terra possui um eixo que não é alinhado com o eixo solar, e também uma rotação elíptica. Isto faz com que os raios solares cheguem de modo diferente à terra conforme a época do ano. (ver figura 2).
Em Janeiro, no afélio, é inverno no hemisfério norte pois este se encontra mais longe do sol e com o s raios incidindo de forma oblíqua, diminuindo sua força (passando por mais atmosfera). No hemisfério sul é verão, onde os raios solares são quase perpendiculares à superfície da terra.
Obviamente, em julho, é o contrário. Verão no hemisfério norte e inverno no hemisfério sul.

Fig.2 – Inclinação da terra x estações do ano

Mas, existe um lugar onde não existe esta diferenciação. É no Equador. Sobre a linha do Equador não existem estações, pois os raios solares sempre chegam do mesmo modo. Nesta linha então os dias duram sempre 12h (12 horas de sol e 12h de noite).

Conforme vamos aumentando a latitude, é fácil notar (ver figura 2) que no auge do inverno no hemisfério sul, a terra se inclina tanto que mesmo ela rotacionando, o sol não consegue atingir o polo sul. Então, em alguns momentos no inverno no polo sul, não haverá sol. O contrário estará acontecendo no polo norte. A terra estará tão inclinada para o lado do sol no norte, que o sol não conseguirá se por, mesmo com a rotação da terra.

Mas em efeitos práticos para leigos, o que isso significa?
Significa que, quanto mais a latitude aumenta, maior o efeito das estações sobre a quantidade de horas de sol durante um dia.
Este efeito é máximo nos polos, chegando a um dia de 24hrs de sol no verão e um dia de 24hrs sem sol no inverno, e este efeito é nulo no Equador.

Por isto, brasileiros não estão muito acostumados com estes efeitos, estamos com a maior parte do país em baixas latitudes. Em comparação a latitude do Rio de janeiro é de -22° enquanto a latitude de, por exemplo, Nova Iorque é de 40° e de Londres é de 51°.

Usaremos agora como exemplos agora as seguintes cidades para comparação. Macapá, Salvador, Porto Alegre, Londres e Anchorage (capital do Alasca). Utilizaremos as seguintes datas marcantes para efetuar a comparação. Solstícios de verão e inverno.


Como podemos bem ver. No Brasil apenas Porto Alegre possui uma variação considerável de horas de sol durante um dia, entre verão e inverno. No verão temos 03h50min a mais de sol no dia do que no inverno em Porto Alegre.
Em Salvador, apenas uma hora e meia a mais no verão, o que não é sentido de forma forte.

Mas quando começamos a falar de altas latitudes, a porra fica séria! Em Paris tu podes ter 16 horas de sol durante um dia para caminhar, passear e aproveitar a cidade, ou ter apenas 08h15min de sol (o que significa que terá 15h45min de noite durante um dia).

É claro que estes são valores nos pontos extremos. Mas é necessário frisar que a diferença é muito grande. Se tu fores tirar férias em Londres e vai ficar 3 dias no inverno, tu terá aproximadamente 24h45min de sol para aproveitar nestes três dias. Se tu for no verão terás 48h33min de sol... isso represente quase o dobro do tempo aproveitando a cidade. Convenhamos, o dobro do tempo de sol significa o dobro do tempo passeando pelo mesmo preço!


A variação para meio ano pode ser replicada para o resto do ano ao contrário, após julho o número de horas vai diminuindo até chegar aos valores de janeiro.

Então, para viajantes que vão visitar cidades com altas latitudes, é bom sempre se lembrar que quanto mais próximo do verão, mais horas de sol tu terás para aproveitar o mesmo lugar. Não necessariamente precisas ir no verão, que é quente, caro e lotado. Mas de preferência, não ir muito próximo ao inverno! Maio em Paris, por exemplo, te proporciona 14h de sol por dia, se resolver ires em março, irás perder 3 horas e meia por dia de passeio. O que em três dias, significa a diferença entre ir a Versailles e à Disney World ou não.

Claro que não pode ser o único fator para decisão de “quando vou viajar”? Mas é bom levar este fator em conta para não ficar 15h preso no hotel esperando amanhecer.

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E aí galera, curtiram o Post do Ermitão? Volta e meia ele virá com mais colunas que mais parecem artigos científicos para viajantes, esperamos que gostem!

Partiu!