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quarta-feira, 28 de maio de 2014

Buenos Aires: Réveillon

E aí galera!

Chegamos no nosso último post da série sobre Buenos Aires. Nossa viagem de cinco dias finalmente chegava em seu ponto mais aguardado: o Réveillon! De fato, não escolhemos a capital argentina pensando nas comemorações de virada de ano, foi mais uma consequência das datas do que um planejamento. Então surgiu logo aquela pergunta: “Espera aí: como é o Réveillon na Argentina?”.

Vem 2014!

A resposta é que... Bom... Podemos dizer que é bem diferente do que vivemos aqui no Brasil ou até mesmo diferente do que vemos em alguns países mundo afora. Esqueçam as multidões nas areias de Copacabana, ou na Times Square, ou na Champs Elyseés, ou ao redor da baía de Sidney. Diferente da imagem que temos do povo argentino, de pessoas passionais, que não pensam duas vezes em sair para as ruas em protestos ou coisas do tipo, a passagem de ano por lá é bem tranquila e sem grandes festas. Claro que há algum estouro de fogos, mas o que vimos por lá foi bem diferente.

 Não é exatamente Copacabana, mas foi divertido.
Curtindo a virada em Puerto Madero: o Réveillon argentino.

Normalmente, o argentino comemora a virada de ano jantando fora com a família. Os principais restaurantes da cidade – principalmente os de Puerto Madero – reservam suas mesas e fazem “festas” fechadas. O “festas” está entre aspas por que ela efetivamente começa a partir de meia-noite, com música e tal, mas nada perto das loucas festas com gente entornando champanhe que estamos acostumados. Essas reservas, geralmente, incluem um prato de entrada, o jantar, uma sobremesa e vinho/refrigerante/água liberados. Em Roma como os romanos (ou na Argentina como os argentinos): nossa opção pro Réveillon foi o restaurante Sorrento, em Puerto Madero. Comida e vinho muito bons, preço justo, tudo bem direitinho – além do visual para a Puente de la Mujer.


Quando deu a virada, todos brindaram, aquela felicidade toda, e algumas pessoas (na maioria estrangeiros - incluindo brasileiros, óbvio) foram pra entrada do restaurante e expandiram a festa pra lá, chamando as pessoas na rua e quebrando um pouco a tradição local. Os garçons olharam de cara feia de início, mas logo entraram na pilha. Fogos estouravam dos grandes hotéis que margeiam Puerto Madero, o suficiente pra tornar a festa muito legal e com a cara de Réveillon que estamos acostumados.

Claro que nem todos os argentinos comemoram com essa tranquilidade toda. Uma opção era curtir uma das várias boates da cidade, que também promoviam festas. Nos indicaram o Asia de Cuba, uma das mais badaladas de Buenos Aires. Mesmo negociando com a casa desde antes da viagem, não conseguimos preços menores que US$120 por pessoa, incluindo apenas uma mísera bebida (sem comida). Era possível fechar mesas VIP para 8 ou 6 pessoas, que incluíam uma garrafa de champanhe ou Absolut, mas com preços bem proibitivos. Confesso que achei estranho, vista a situação econômica do país. E a gente achando que o $urreal era só no Brasil.

Asia de Cuba: uma das mais badaladas boates da cidade. Foto: Wander-Argentina.

Então se você curtir uma passagem de ano mais tranquila e com menos multidões, Buenos Aires pode ser uma boa opção.

E foi assim que terminou nossa viagem pra Buenos Aires. Uma cidade bem tranquila de se trafegar, barata e com diversas opções pros viajantes. Deixamos de fazer muita coisa legal na cidade, então quem sabe não voltamos pra completar? Não é à toa que os brasileiros estão invadindo a capital argentina e, se eu fosse você, engrossava essa estatística. Esperamos que tenham gostado dos nossos posts e que venham mais viagens por aí!

Partiu!

sábado, 10 de maio de 2014

Colonia del Sacramento: saindo de Buenos Aires

E aí galera!

Nossa viagem por Buenos Aires continua... saindo de Buenos Aires! Uma das ótimas opções de passeios pra quem está na capital argentina é atravessar o Rio da Prata e passar o dia no país vizinho, o Uruguai, mais precisamente numa cidadezinha muito gostosa chamada Colonia del Sacramento. Mas calma: as atrações de Colonia ficam pro próximo post. Hoje, vamos dar uma ideia de como fazer esse passeio partindo de Buenos Aires: as opções, onde comprar e outros detalhes.

 Chegamos cedinho pra viagem!

A maneira típica de chegar em Colonia a partir de Buenos Aires é mesmo atravessando o Rio da Prata (que é um baita rio). Pra quem está em Montevidéu, a opção é uma viagem de 2h30 aproximadamente de ônibus. Basicamente existem três empresas que fazem o trajeto aquático desde Buenos Aires: a Buquebus, Colonia Express e Seacat. A primeira é a clássica e fomos por ela. Se quiserem uma comparação bem detalhada das três empresas, não tem post melhor do que o do Ricardo Freire no Viaje na Viagem. Nesse post, vamos falar de como fechamos o passeio pelo Buquebus.

O catamarã da Buquebus que faz a travessia.

A Buquebus é a maior dessas três empresas e a que tem mais horários, além de também ser a única que pode levar carros. O site deles é auto-explicativo e você pode fazer sua compra por lá com antecedência – o que não foi nosso caso. Como bons brasileiros, decidimos tudo em cima da hora e tivemos que ir para a loja da Buquebus no Centro de Buenos Aires (Av. Córdoba, 867), onde fechamos tudo rapidinho. Os preços são como os de passagens aéreas: variam bastante, há tarifas promocionais e comprar com antecedência sempre é uma boa opção. Há opção de comprar a passagem junto com uma integração, de modo que você pode pegar um ônibus quando chegar em Colonia del Sacramento.

As filas ainda estavam pequenas! Cheguem cedo!

A saída dos enormes catamarãs acontece em Puerto Madero, na parte norte (veja o mapa no final do post), num prédio muito bonito. Recomenda-se chegar com, no mínimo, uma hora de antecedência: pegamos grandes filas (várias grandes filas) mesmo com passagens já compradas e há todo um trâmite burocrático antes do embarque, afinal, estamos mudando de país, e acertar a papelada leva algum tempo. A travessia levou pouco mais de uma hora e é bem tranquila: balança pouco, há lojas com comida e até um free shopping – onde acabamos não comprando nada, pois deixamos pra comprar no aeroporto de Ezeiza.

A viagem é bem confortável.

ATENÇÃO: É obrigatório levar sua identidade e o visto da imigração, que você recebe quando chega na Argentina (ou então seu passaporte, com o carimbo do visto). Sem ele, você não consegue sair do país.


No próximo post, tudo que vimos nesse day-trip em Colonia del Sacramento!

Partiu!

segunda-feira, 21 de abril de 2014

Buenos Aires: Feira de San Telmo

E ai galera!

Toda grande cidade que se preze tem sua feira de rua tradicional. Aqui no blog, chegamos a mostrar o Brique da Redenção, em Porto Alegre, a maior da cidade que acontece todos os domingos. Buenos Aires não fica atrás e também tem sua famosa feira de antiguidades dominical, que atrai locais e turistas de toda parte desde sua inauguração, em 1970: a Feira de San Telmo, no tradicional bairro de mesmo nome.

Bienvenidos a la Feria de San Telmo!

San Telmo pode ser comparado com o bairro da Lapa, no Rio de Janeiro. Um bairro antigo, que respira o ar boêmio e mantém sua arquitetura de prédios baixos com os clássicos parapeitos e muitos bares e restaurantes. É nesse cenário que acontece a mais famosa feira de rua da cidade. A Plaza Dorrego é o epicentro do mar de barracas que dão vida à Feira de San Telmo. A grande maioria do que vimos por lá são antiguidades de todos os tipos: louças, artigos metálicos, discos de vinil, roupas, enfim, tem de tudo. Tem muita coisa curiosa, vale o passeio pelas barracas mesmo que você não vá levar nada. Apesar das barracas não terem muito luxo, muitas aceitam até cartões de crédito (mas não sei dizer se é seguro - na dúvida, vá de pesos mesmo). Ainda antes da praça, a Calle Defensa já tem várias lojas interessantes.

Chegando pela Calle Defensa

Claro que uma feira tradicional argentina não estaria completa sem um show de tango, certo? No meio daquele mar de gente e barracas, naqueles poucos metros quadrados, um casal performa a mais conhecida dança do país e passando o chapéu para os visitantes - e vendendo seus CDs, claro.

Tango rolando solto na Feira de San Telmo

Ao redor da praça, casas de dois ou três andares abrigam ótimos bares e restaurantes - que não conseguimos comer neles por causa das grandes filas, então fica a dica: se quiser comer por lá, tente chegar mais cedo ou reservar (nem todos fazem). Outro empecilho na época foi o fato de muitos dos restaurantes - que eram até chiques - não terem ar condicionado, o que não é problema em épocas de frio. Na própria praça há bons locais como La Pérgola de San Telmo, Parrilla Coronel Dorrego e Amici Miei, além de outros locais bem falados em ruas próximas como o os bares El Federal e Plaza Dorrego e o restaurante El Maipú.

Um pouco do que vimos por lá

Nós pegamos uma das mais quentes temporadas de Buenos Aires, papo de 40ºC, então sofremos um bocado com o calor. Recomendamos sempre um boné com protetor solar na mochila, além de calçados confortáveis (as ruas são de paralelepípedos) e, claro, sempre beber muita água.
 
A feira acontece no bairro de mesmo nome da feira, que fica bem próxima à Plaza de Mayo. Chegar em San Telmo é simples. A feira rola na Plaza Dorrego, entre as ruas Defensa e Humberto I, sempre aos domingos, de 10h-17h. A estação de metrô mais próxima é a San Juan (Linha C), que pede uma caminhada para chegar na feira.


No próximo post, vamos mostrar que uma viagem para Buenos Aires pode passar pelas fronteiras argentinas... Fiquem ligados!

Partiu!

sexta-feira, 4 de abril de 2014

Buenos Aires: Jardim Japonês

E ai galera!

A cultura de um país é formada principalmente pelo seu povo nativo, na grande maioria dos casos. Mas sempre há uma importante parcela formada por imigrantes de diversas partes do mundo. Aqui no Brasil, isso fica muito claro em várias regiões. Como não se lembrar do bairro da Liberdade, em São Paulo, simplesmente um pedacinho do Japão na cidade? A imigração japonesa, muito forte aqui, extrapolou nossas fronteiras e chegou à Argentina no início do século XX, motivada pela II Guerra e oportunidades na emergente nação da época. Essa história continua até hoje, e dela faz parte o lindo Jardim Japonês de Buenos Aires.

Um pedacinho do Japão em Buenos Aires

Tradição na terra do sol nascente, os jardins típicos japoneses (nihon teien) estão espalhados pelo mundo, sempre muito ligados às tradições nipônicas como os chás e o budismo, tudo com aquele cuidado exemplar característico desse povo. Além dessas características, o Jardim Japonês de Buenos Aires, administrado pela Fundação Cultural Argentino-Japonesa, é um local de divulgação do Japão e sua cultura: desde aulas de artes marciais e culinária típica, passando por oficinas de pipas, koinobori (aquelas birutas em forma de carpas) até a típica cerimônia do chá (chanoyu). Há também bibliotecas com literatura japonesa, mangás, enfim, um prato cheio pra quem curte a cultura deles.

Mapa do Jardim Japonês

Interior do pagode onde acontece a cerimônia do chá

O que dizer dos jardins? Impecáveis, recheados de bonsais, cerejeiras, complementando o lindo visual do lago cheio de carpas. O local é extremamente agradável e ainda por cima pegamos um dia lindo. Sei que é difícil confiar em previsão do tempo, mas tente visitar o local num dia de sol: as fotos ficam sensacionais e as cores de tudo ficam ainda mais lindas. Não é a toa que muita gente faz álbuns de fotografia por lá.

Procure visitar o Jardim Japonês num dia ensolarado...

...as fotos ficarão lindas!

O Jardim Japonês funciona diariamente, das 10h-18h, e fica na Casares, 2966, esquina com a Figueroa Alcorta, como dissemos, no bairro Palermo. Por ser mais afastado do Centro e Recoleta, bairros que normalmente os viajantes costumam se hospedar, recomendamos visitar no mesmo dia em que fizerem os passeios para o Rio Tigre ou o Monumental de Nuñez, que ficam pela mesma região. A estação de metrô mais próxima é a Scalabrini Ortiz (Linha D), que fica a uns 30 minutos a pé. As entradas custam A$32, mas menores de 12 anos não pagam. Existe serviço de visitas guiadas aos sábados e domingos, 11h.


No próximo post, vamos conhecer um evento tradicional da capital argentina. Fiquem ligados!

Partiu!

sexta-feira, 21 de março de 2014

Buenos Aires: Puerto Madero

E ai galera!

Antigamente, algumas cidades grandes litorâneas do mundo baseavam sua economia na atividade portuária. Com o passar dos anos e o crescimento urbano desordenado, essas áreas acabaram sendo degradadas, desperdiçando um grande potencial econômico. Entretanto, não é difícil lembrarmos cidades como Barcelona, Nova Iorque e o próprio Rio de Janeiro, que revitalizaram (ou estão revitalizando) essas zonas portuárias, transformando-as em pontos turísticos importantes. Buenos Aires também faz parte dessa lista e foi assim que surgiu um dos mais nobres bairros da capital: Puerto Madero.

A Puente de la Mujer, símbolo de Puerto Madero

Dono do metro quadrado mais caro de toda Buenos Aires, Puerto Madero hoje é um grande polo gastronômico da cidade e possui alguns dos melhores hotéis da capital, além de sedes de grandes empresas. Mas nem sempre foi assim. Desde o final do século XIX, o bairro passou por diversas tentativas de modernização até que no início da década de 90 surgiu o grande e bilionário projeto que culminou na Puerto Madero que temos hoje, sendo um case de sucesso para diversas outras cidades que tem planos de revitalização. Realmente, chegando lá, dá logo pra sentir a diferença: tudo perfeitamente limpo e bem cuidado, muito bonito.

 Passear por Puerto Madero é muito agradável e seguro

Talvez o principal símbolo de Puerto Madero seja a Puente de la Mujer (ou Ponte das Mulheres), uma linda ponte que corta o canal que outrora era o caminho para entrada no Rio da Prata. Sem dúvida um dos cartões postais de Buenos Aires. Mas me arrisco a dizer que, além do agradável passeio, o melhor de Puerto Madero são seus restaurantes: todos com a vista do canal e muito chiques (e com bons preços pra brasileiros e seus reais). Pudemos experimentar dois deles: o Cabaña Villegas e o Sorrento Restaurant. Os dois são bem finos e saem, em média e sem economias, uns R$70-80 por casal. Restaurantes do mesmo nível aqui no Brasil sairiam pelo menos o dobro disso. É a chance de fugir do típico "chorizo con papas fritas" que todo e qualquer restaurante de rua de Buenos Aires serve.

O Cabaña Villegas: ótima opção em Puerto Madero

Puerto Madero tem muita coisa pra oferecer, como o Navio Museu Fragata Sarmiento: uma antiga porém conservada embarcação do tempo das inúmeras batalhas entre Argentina e Inglaterra no século XIX. Não conseguimos visitar, mas o barco, que fica bem do lado da Puente de la Mujer, chama bastante atenção! Não importa como: dê um jeito e coloque uma visita ao bairro no seu roteiro, nem que seja somente pra jantar em um de seus ótimos restaurantes e dar um passeio pelo canal. Infelizmente só conseguimos passear por Puerto Madero pela noite, mas de dia deve ser lindo demais! O blog Fragata Surprise da Cynthia Campos tem fotos maravilhosas!

O Museu Fragata, num lindo dia em Puerto Madero (Foto: Fragata Surprise)

Por ser um bairro relativamente novo, as estações de metrô mais próximas ficam um tanto longe: Plaza de Mayo (Linha A) ou Leandro Alem (Linha B). Dá uns 20 minutos de caminhada de lá, não recomendo, ainda mais de noite. A melhor pedida, novamente, é o taxi. Se estiver jantando por lá, peça para o seu restaurante chamar o taxi na volta para o hotel para evitar esperar pelo carro na rua (apesar de parecer um local bem seguro).


No próximo post, vamos conhecer um cantinho verde de Buenos Aires que remete a um local que fica do outro lado do mundo!

Partiu!

quarta-feira, 12 de março de 2014

Buenos Aires: Café Tortoni

E ai galera!

Algumas viagens possuem roteiros com aquele dia mais cansativo, onde batemos perna por aí, seja pra fazer compras ou pra visitar algum museu ou algo parecido. Chega um momento que a vontade é sentar num local confortável e tomar um café ou um sorvete pra dar uma relaxada. As antigas cafeterias são clássicas nas metrópoles latinas e exemplos não faltam por aí, como a Confeitaria Colombo, no Rio de Janeiro. Mas se você estiver em Buenos Aires, o local pra desfrutar desse tipo de momento, sem dúvidas, é o Café Tortoni.

 Tradicional fachada do Café Tortoni

A cafeteria mais tradicional da capital argentina data de 1858 e era ponto de encontro de grandes artistas locais, que utilizavam a adega do estabelecimento para suas reuniões. A presença da elite intelectual de Buenos Aires no local foi o que deu a grande fama ao Café Tortoni na época. Além do vasto salão principal, o Café Tortoni possui mais três salas cativas: a Sala Alfonsina Storni, a Sala Eladia Blázquez e a La Bodega, que podem ser alugadas para eventos particulares. Além disso, as três salas recebem shows de tango praticamente todos os dias da semana, normalmente pela noite. A lista de shows atual está disponível no site.

Placa de 1858, dia da inauguração!

Salão principal do Tortoni: de volta ao século XIX.

Apesar de ser uma cafeteria, o Tortoni oferece desde cafés-da-manhã fartos, passando por almoços executivos até jantares mais finos e diversos tipos de vinhos. Como nosso caso era mais um pit stop no meio da tarde, fomos dos tradicionais cappuccinos e sorvetes da casa – todos deliciosos. Também fomos muito bem atendidos, os garçons foram muito simpáticos. A disputa por mesas é grande: até pegamos uma pequena fila pra podermos entrar. Mas vale muito a pena esperar: é um cantinho diferente de Buenos Aires e não é a toa que é tão visitado. E como todo lugar bem visitado, há sua lojinha de presentes. Desde as canecas de café ou chá até enfeites da clássica e tradicional fachada do Tortoni, vale uma olhadinha.

Pessoal se dividindo entre as batidas e os cafés: tudo muito bom!

O Gran Café Tortoni fica na Avenida de Mayo, 825 e chegar lá é bem fácil: além de ser uma das principais avenidas da cidade, há uma estação de metrô bem ao lado do Café (a estação Piedras, Linha A). Se estiverem a pé por perto, o Tortoni fica entre as ruas Piedras e Tacuarí, a duas quadras do famoso Obelisco. Não tem erro. Eles funcionam praticamente o dia todo: segunda a sábado das 7h30 às 2h e aos domingos das 9h às 1h da manhã. Não será falta de tempo que vai te impedir de conhecer o Tortoni!


Fiquem ligados no Check-In: no próximo post vamos falar de uma área revitalizada da cidade que se tornou polo gastronômico local!

Partiu!

quinta-feira, 6 de março de 2014

Buenos Aires: Monumental de Nuñez

E aí galera!

Em nosso último post, vimos um pouco sobre a paixão que pinta metade de Buenos Aires de azul e amarelo (ou a metade e mais um, como os próprios torcedores do Boca Juniors se dizem). Hoje vamos conhecer o outro lado da moeda futebolística da cidade. De fato, a capital argentina possui vários outros times de futebol considerados grandes, como o San Lorenzo e o Vélez Sarsfield, mas nenhum outro rivaliza tanto com os xeneizes quanto o Club Atlético River Plate.

 Monumental de Nuñez, a casa do River Plate

O clube fundado em 1901 é conhecido como Los millionarios, desde uma contratação milionária de um jogador na década de 30, além do fato de sua sede e seu estádio, o Estádio Monumental Antonio Vespucio Liberti, ficarem no bairro nobre de Belgrano (e não no bairro de Nuñez, como sugere o apelido do estádio: Monumental de Nuñez). É o maior estádio da Argentina – pouco mais de 60 mil lugares – e onde a seleção local costuma mandar seus jogos. Eu não poderia me dizer conhecedor da rivalidade Boca-River sem conhecer o lado vermelho e branco da história, o que fizemos no Museo River.

Museo River: lindo por fora e por dentro

O Museu River possui três tipos de passeios, com preços diferentes para turistas, argentinos e sócios do clube. Para nós, a visita simples ao Museu sai por A$50; a visita express sai por A$55 e a visita com direito a tour pelo estádio (chegando até a beirada do gramado) custa A$60. Claro que fizemos a última, mas atenção aqui: os tours saem de hora em hora, das 11h-17h. O tour começa te convidando a uma viagem numa máquina do tempo, onde voltamos para a data de fundação do River e entendemos um pouco como se formou esse gigante do futebol argentino. Década por década, vimos o desenvolvimento do clube e o cenário no país, passando por seus principais títulos e jogadores, como Alfredo Di Stéfano, Daniel Passarella, Mario Kempes, Enzo Francescoli, Ariel Ortega, entre tantos outros. O túnel do tempo termina com os principais troféus do clube, com destaque para as Libertadores de 86 e 96 e o Mundial em 86. Há também uma enorme maquete do Monumental e uma vasta coleção de camisas antigas, sensacional.

O túnel do tempo...

...que termina com as maiores conquistas dos Millionarios!

Maquete enorme do Monumental

Hall em homenagem aos artilheiros do clube

Uma pequena parte da enorme coleção de camisas do Museu

A visita no Museu do maior campeão nacional da Argentina continua com a tão esperada visita ao Monumental de Nuñez. Começamos nos sentando na arquibancada, onde a guia conta a história do estádio, a confusão entre os bairros Belgrano e Nuñez, enfim, um monte de curiosidades que os amantes do futebol vão adorar. Seguimos para o vestiário para, finalmente, adentrar o campo de jogo. A proibição de pisar no gramado só nos atiçou ainda mais, mas nos comportamos e tiramos muitas fotos. O estádio é lindo, enorme, o nome diz tudo: Monumental. Não me espanta o fato da Argentina dificilmente perder seus jogos quando joga com casa cheia por lá.


Banco de reservas

Chegando no limite permitido, a vontade era pisar no gramado...

Mostrando talento

Torcida do River dando show no Monumental

Como qualquer Museu, a visita termina com uma visita na enorme loja de produtos oficiais do River Plate, já de volta à entrada do Museu. Os preços das camisas oficiais, pra minha surpresa, são caríssimos, não só lá mas em toda Buenos Aires. Ficamos só na vontade.

Maneiríssima a loja do River, mas os preço$...

Muito se fala do Museu de La Passión Boquense e de La Bombonera, mas achei o Museu River bem mais bonito, informativo e organizado, tornando a visita bastante agradável. O Museu River funciona todos os dias, das 10h-19h, exceto em dia de jogos no estádio.




No próximo post, um destino delicioso e cheio de charme em Buenos Aires.

Partiu!

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Buenos Aires: La Bombonera

E aí galera!

Nosso passeio por Buenos Aires continua pela região de La Boca, mas do que falaremos nesse post extravasa as fronteiras do popular bairro, da capital argentina e, por que não, até mesmo as fronteiras de nosso país vizinho. Não é novidade pra ninguém que a Argentina é um país tão apaixonado por futebol quanto o nosso: os caras são bicampeões do mundo, juram que Maradona foi um Deus perto do nosso Pelé – sem exageros: os caras tem uma igreja pra louvar o ex-camisa 10 deles – e hoje vivem o presente de Lionel Messi, quatro vezes o melhor jogador do mundo pela FIFA. Mas um certo clube tem uma importância especial no meio dessa paixão toda: o Club Atlético Boca Juniors, ou simplesmente o Boca. 

Um dos mais importantes estádios do mundo: La Bombonera

Chegando em La Bombonera: o estádio não é dos maiores nem dos mais modernos, mas tem muita mística e história

O Boca Juniors é o clube mais popular da Argentina e é o clube, juntamente com o Milan, da Itália, com mais títulos internacionais no mundo, o que não é pouca coisa, se pensarmos que a os clubes argentinos não contam com os milhões de euros esbanjados por clubes europeus para montar suas equipes. O Boca é tricampeão mundial e hexacampeão da Copa Libertadores, além de ser um verdadeiro terror para clubes brasileiros, principalmente quando os recebe em seu lendário estádio: o Alberto J. Armando, mais conhecido como La Bombonera.

Na direita, um dos três troféus de Campeão Mundial

Como vocês já devem ter ouvido falar, o nome se dá pelo formato de suas arquibancadas: muito íngremes e espremidas, lembrando uma caixa de bombons, o que em situações de estádio lotado (maioria das vezes) coloca uma pressão tão absurda nos adversários que a principal torcida do clube – uma das mais fanáticas do país – se chama La 12, como se fossem um jogador a mais em campo. Como diz o Galvão Bueno em suas transmissões cheias de jargões: “A Bombonera não treme, ela pulsa!” Deve ser coisa de louco ver um jogo do Boca no estádio (e de rico também: os ingressos para não-sócios do clube são caríssimos, entre A$200 e A$300 e se esgotam rápido). Explicado por que é tão complicado assim ganhar dos caras lá. Eu simplesmente tinha que entrar em La Bombonera e conhecer esse ícone do futebol mundial.

Torcida do Boca em jogo contra o Arsenal pela Libertadores 2012

Museu do Boca, com estátua do Maradona, claro.
Camisas antigas do Boca Juniors: amarelo e azul tradicionais.

Essa vontade, obviamente, não era só minha e o Boca aproveitou sua fama mundial e construiu, em seu estádio, o Museo de La Passión Boquense, o museu do Boca, onde seus visitantes podem conhecer as origens do mais popular clube do país e entender um pouco como se criou esse gigante e a relação com a torcida xeneize – apelido da torcida, vem de genovês, oriundo da cidade de Gênova, na Itália. Dentre seus principais ídolos, só pra começar com os mais recentes: Diego Maradona, Gabriel Batistuta, Cláudio Caniggia (sim, aquele canalha que nos eliminou da Copa do Mundo de 1990), Martín Palermo, Román Riquelme, Carlitos Tévez... A lista é longa e tem alguns brasileiros nessa história.

Os três ídolos mais recentes: Schellotto, Riquelme e Palermo.

Década a década, cada detalhe da gloriosa história do Boca.

Há um tour guiado pelo Museu (A$60), que passa pelas origens do clube, seus ídolos, títulos, uniformes, a relação com o bairro La Boca e termina em uma das arquibancadas de La Bombonera, onde você será convidado (mediante pagamento, claro) a tirar uma foto de dentro do gramado com uma das Copas Libertadores do clube – imagino que seja réplica, enfim. Óbvio que desembolsei meus pesitos e saí orgulhoso com mi foto de Boca, como diz o porta retrato azul e amarelo.

As arquibancadas são MUITO íngremes e o campo muito próximo!

Ahhh garoto! =)

Como comentamos no post sobre La Boca, chegar no estádio só de taxi ou ônibus – não há estação de metrô por lá. Aconselhamos sempre o taxi, pelos motivos expostos no post sobre o transporte.

No próximo post, vamos viver o outro lado dessa moeda chamada futebol argentino. Os xeneizes (nome dado aos torcedores do Boca) se dizem “la mitad más uno”, como forma de dizerem que são os maiores da Argentina. Agora conheceremos os que intitulam “el más grande lejos” (os maiores, de longe)...

Partiu!

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Buenos Aires: La Boca e Caminito

E aí galera!

Muitas cidades grandes pelo mundo possuem aquele bairro tradicional, mais popular, que ao invés de ser deixado de lado acaba sendo revitalizado e acaba virando ponto turístico. Pode-se citar, pensando rápido, Santa Teresa, no Rio de Janeiro, e o Pelourinho, em Salvador. Quando se pensa num bairro desse tipo em Buenos Aires, o nome certo no seu roteiro é La Boca.

 As cores já dizem tudo: chegamos a La Boca!

Buenos Aires, como muitas cidades brasileiras, foram colonizadas a partir de seus portos. Os imigrantes, principalmente italianos, com mais dinheiro foram buscando locais mais tranquilos da cidade enquanto o povo com menos condições acabava vivendo próximo à zona portuária, onde trabalhavam. Aliás, o nome La Boca vem justamente por ficar no local onde o Rio Riachuelo desembocava no Rio de La Plata. A principal característica do bairro são as coloridas casas (os conventillos), que possuem essa característica pelo fato de que, antigamente, eram pintadas com sobras das tintas que pintavam os navios – que nem sempre davam pra pintar a casa toda com uma cor só. Apesar de ser um local bem simples, existem pelo menos duas atrações imperdíveis pra quem visita à capital argentina.

Sendo recebido em La Boca por Dieguito, Evita e Gardel...

Chegando em Caminito

O Caminito (nome em homenagem a uma popular música de tango argentino) é um destino certo em seu roteiro. A rua, que antigamente abrigava uma velha linha ferroviária, acabou abandonada depois da desativação da mesma. Na década de 1950, moradores resolveram revitalizar o local, que acabou se tornando um point para os artistas (cheios de influências italianas) da época venderem suas obras. Com o passar do tempo e o interesse dos turistas no local crescendo, diversas lojas de roupas populares, bares e restaurantes foram abrindo e tornou o Caminito um dos principais pontos turísticos da cidade.

Uma das várias galerias com artes locais

O Centro de Exposições de Caminito – com Diego Maradona, Evita Perón e Carlos Gardel nos recebendo na varanda – a famosa Havanna do Caminito, as infinitas lojinhas com camisas de futebol (todas fake, mas e daí?), as menções sobre tango em cada detalhe... Tudo em La Boca é cheio de cores, de gente e de arte. Por ser um pedacinho de Buenos Aires bem diferente de todo resto, aconselhamos demais que você reserve um espacinho no seu roteiro para conhecer o bairro – uma manhã ou uma tarde são suficientes.

Não é a toa que Maradona é chamado de D10S por lá: só dá ele!

As principais cores de La Boca são o azul e amarelo, as cores do Boca Juniors, principal clube de futebol da Argentina, que ostenta seu lendário estádio La Bombonera no bairro, a poucos metros de Caminito. Esse é a segunda grande atração de La Boca, mas será assunto para um outro post...

As lojinhas em Caminito tem de tudo!

Apesar de ser um bairro mais pobre em relação a outros mais famosos, como Recoleta e Palermo, La Boca é bem segura durante o dia. Os cuidados são os básicos: evite deixar bolsas à mostra, abrir carteira, atenção em lugares mais cheios, enfim, coisas que você faria em qualquer lugar do Brasil. Não aconselhamos (na verdade, nunca vi ninguém dizer o contrário) visitar La Boca pela noite.

Chegar em La Boca, só de taxi ou ônibus – não há estação de metrô por lá. Aconselhamos sempre o taxi, pelos motivos expostos no post sobre o transporte.


Exibir mapa ampliado

No próximo post, ainda em La Boca, vamos conhecer onde pulsa uma paixão azul e amarela, conhecida em todo mundo.
Partiu!